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à nossa volta os dois rapazotes passam o dia um com o outro, entregues ao mundo e a si mesmos. também eles têm fome, daquela que nos transborda o ácido para lá da boca do estômago. têm também da outra que nos faz tilintar o coração com frio. os dois rapazotes passam o dia um com o outro, entregues ao mundo, entregues a si mesmos, sem evidência dos seus adultos por perto. outrora, neste continente, a parentalidade podia estender-se por toda uma aldeia, agora crescem as crianças aos bocados, um pouco aqui, um pouco ali e muito por onde calhar que ninguém quer saber. tudo cresce por aqui, enquanto não é levado pela enxurrada.
um pai, nesta terra, carrega pouco mais que o significado biológico, mas ter um “mais velho” por perto é ter alguém com a altura de um farol e o aconchego de um ninho. pensamos “a mãe?!” e um de nós desprende a frase: “aqui, são sempre filhos da mãe….!”.
todos nós, homens, alguns pais, ficamos a olhar para os rapazitos com uma expressão perplexa e complacente, inconscientes de que nunca iremos sentir o significado completo dessa frase.
“são sempre filhos da mãe…!”




