Wiki wiki #4 … “Amor fino”

por vezes é mais acertado falar de amor aos peixinhos…

“O amor fino não busca causa nem fruto.

Se amo, porque me amam, tem o amor causa;

se amo, para que me amem, tem fruto: e amor fino não há-de ter porquê nem para quê.

Se amo, porque me amam, é obrigação, faço o que devo: se amo, para que me amem, é negociação, busco o que desejo.

Pois como há-de amar o amor para ser fino?

Amo, quia amo; amo, ut amem: amo, porque amo, e amo para amar.

Quem ama porque o amam é agradecido.

Quem ama, para que o amem, é interesseiro: quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, só esse é fino.”

in: Sermões, Padre Ant.º Vieira

Wiki wiki #3 … “Camões”

sim, o grande… aquele que escreveu:

“  Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer;


É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.


Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo amor?  “

 

e também…

” Transforma-se o amador na cousa amada
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada
Que mais deseja o corpo alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois com ele tal alma está liada.

Mas esta linda e pura Semidea
Que como o acidente em seu sujeito,
Assi com a alma minha se conforma;

Está no pensamento como ideia;
E o vivo, o puro amor de que sou feito,
Como a matéria simples busca a forma. “

(in: Rimas)

 

“Pouco se sabe com certeza sobre a sua vida. (…). Diz-se que, (…), se autoexilou em África, (…).

Todos os esforços feitos no sentido de se descobrir a identidade definitiva da sua musa foram vãos e várias propostas contraditórias foram apresentadas sobre supostas mulheres presentes na sua vida.

Contudo, é um amor preso no dualismo, é um amor que, se por um lado ilumina a mente, gera a poesia e enobrece o espírito, se o aproxima do divino, do belo, do eterno, do puro e do maravilhoso, é também um amor que tortura e escraviza pela impossibilidade de ignorar o desejo de posse da amada e as urgências da carne. Queixou-se o poeta inúmeras vezes, amargamente, da tirania desses amores impossíveis, chorou as distâncias, as despedidas, a saudade, a falta de reciprocidade, e a impalpabilidade dos nobres frutos que produz.”

 in: Wikipédia

 

 

 

 

Wiki wiki #2 … “Innuendo”

 


“An innuendo is a baseless invention of thoughts or ideas. It can also be a remark or question, typically disparaging (also called insinuation), that works obliquely by allusion. In the latter sense, the intention is often to insult or accuse someone in such a way that one’s words, taken literally, are innocent.”

in: Wikipédia

 …é uma invenção sem base de pensamentos ou ideias. Também pode ser uma observação ou pergunta, geralmente depreciativos (também chamado de insinuação), que trabalha obliquamente por alusão. No último sentido, a intenção é frequentemente insultar ou acusar alguém de tal maneira que as palavras, tomadas literalmente, são inocentes. – GoogleTranslate

Wiki wiki #1 … “Sindrome do falso amor”

Devido a processos neurológicos complexos, a pessoa passa por uma experiência de transferência, com outra pessoa (com) que(m) tem um pouco de afinidade.

Essa Síndrome cria a sensação que o paciente esta apaixonado, esta amando a outra pessoa, quando na verdade ela esta apenas projetando seu ideal de amor.

in: Wikipédia

filhos da… mãe

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à nossa volta os dois rapazotes passam o dia um com o outro, entregues ao mundo e a si mesmos. também eles têm fome, daquela que nos transborda o ácido para lá da boca do estômago. têm também da outra que nos faz tilintar o coração com frio. os dois rapazotes passam o dia um com o outro, entregues ao mundo, entregues a si mesmos, sem evidência dos seus adultos por perto. outrora, neste continente, a parentalidade podia estender-se por toda uma aldeia, agora crescem as crianças aos bocados, um pouco aqui, um pouco ali e muito por onde calhar que ninguém quer saber. tudo cresce por aqui, enquanto não é levado pela enxurrada.

um pai, nesta terra, carrega pouco mais que o significado biológico, mas ter um “mais velho” por perto é ter alguém com a altura de um farol e o aconchego de um ninho. pensamos “a mãe?!” e um de nós desprende a frase: “aqui, são sempre filhos da mãe….!”.

todos nós, homens, alguns pais, ficamos a olhar para os rapazitos com uma expressão perplexa e complacente, inconscientes de que nunca iremos sentir o significado completo dessa frase.

“são sempre filhos da mãe…!”

gente partida…

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uma manhã de domingo, de um domingo qualquer, mais um esforço de lavagem das saudades com água de cevada e malte fermentados. mais um dia em que tudo parece distante e tudo é insuficiente, porque aqui sempre nos falta algo. não é por acaso que um dos temas mais repetidos ao longo da semana de trabalho é o almoço de rescaldo no domingo. é que, deste lado, estamos constantemente com fome, fome de casa e fome dos que aqui não temos connosco. é assim que ao domingo vamos à praia dar sol às nossas barrigas cheias dessa fome.

somos gente com barrigas grandes que competem em tamanho com a avidez dos nossos olhares. temos fome e queremos comer. queremos saciar este vazio interior tão grande que nos faz gente nostálgica, gente presa a passados que o presente esvaziou de sentido. somos gente triste, mesmo quando nos rimos. somos gente com umbigos sobressaídos e com dificuldade em pendurar o olhar noutra coisa qualquer.

e acabamos o dia com as lamurias do que alguém já foi ou já fez, lamentos desinfectadas no excesso do álcool consumido. assim fechamos mais um dia, melhor acomodados.


somos, em mais uma manhã, gente que um dia partiu…

anúncio importante…

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PROCURA-SE O RAPAZ

“Foi visto Feliz pela última vez quando ainda estava ao lado da sua Laranja. Vestia então um sorriso enorme e calçava um andar altivo daqueles que só se têm com a melhor das companhias. Possui estatura média mas julga-se o maior do mundo quando ela sorri para ele. Manifesta surtos de amésia e tende a esquecer que o mundo existe quando está com ela. Pode apresentar aspecto um pouco alienado, olhando compulsivamente para o calendário como que a medir o tempo que dista até casa. Se o encontrarem, não lhe ofereçam laranjas porque pode gerar um ataque de choro, encaminhem-no rapidamente de regresso ao Lar.”