gente partida…

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uma manhã de domingo, de um domingo qualquer, mais um esforço de lavagem das saudades com água de cevada e malte fermentados. mais um dia em que tudo parece distante e tudo é insuficiente, porque aqui sempre nos falta algo. não é por acaso que um dos temas mais repetidos ao longo da semana de trabalho é o almoço de rescaldo no domingo. é que, deste lado, estamos constantemente com fome, fome de casa e fome dos que aqui não temos connosco. é assim que ao domingo vamos à praia dar sol às nossas barrigas cheias dessa fome.

somos gente com barrigas grandes que competem em tamanho com a avidez dos nossos olhares. temos fome e queremos comer. queremos saciar este vazio interior tão grande que nos faz gente nostálgica, gente presa a passados que o presente esvaziou de sentido. somos gente triste, mesmo quando nos rimos. somos gente com umbigos sobressaídos e com dificuldade em pendurar o olhar noutra coisa qualquer.

e acabamos o dia com as lamurias do que alguém já foi ou já fez, lamentos desinfectadas no excesso do álcool consumido. assim fechamos mais um dia, melhor acomodados.


somos, em mais uma manhã, gente que um dia partiu…

malhas caídas, esperança e pouco mais…

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Não me interpretes mal
Não troques os sinais
Tu sabes que no fundo
Bem lá no fundo
Somos todos iguais
Malhas caídas
Esperança e pouco mais.

Não me interpretes mal
Não me queiras julgar
Sabes que a solidão
Deixa a razão
Fora do seu lugar
Malhas caídas
Pontas por apanhar.

(…)

Não me interpretes mal
Somos iguais na dor
Tu vais ver que afinal
Basta uma chama
Um pouco de calor
Um pouco de calor…”

o que acrescentaria a esta música? Nada!

obrigado aos seus autores!

 

(Manuel Paulo & Manuela Azevedo – Malhas caídas @ Assobio da cobra )

de regresso aos meus…

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em breve regressarei à minha tribo e haverá o reencontro dos olhares que há tanto partiram em direcções diferentes.

será, então, tempo de se partilhar o calor dos abraços que ficaram à espera,

tempo de se enaltecerem lealdades e retribuir com sorriso feliz as verdadeiras amizades, daqueles que, apesar da ausência,

sei que ficaram a zelar por mim, de peito aberto e sem omissões.


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“Tribo - é um conjunto de pessoas, geralmente de uma família ou associação de poucas famílias, que habitam uma cidade ou uma vila, em um território geográfico definido, dirigidos por chefes ou patriarcas. Os humanos que compõem uma tribo geralmente são da mesma raça, crença e costumes”

sinto-me confinado…

na distância que é tanta que me enclausura.

São paredes de vazio, paredes cobardes que fogem das minhas mãos como o ar que escapa a quem cai em queda livre – que se eu pudesse e se assim não fossem já as teria destruído na raiva da minha dor. A distância não é duplicada ao ser sentida de cada lado; é elevada ao quadrado a cada instante e por isso os minutos parecem carregar horas de solidão.

O tempo torna-se espesso e cansativo. Exausto de o carregar na tua ausência fico sem forças para ter vontade. Recupero a vontade quando recordo que é contigo que invento momentos e o tempo evapora como éter mesmo por entre as situações mais banais.

Na incapacidade de me fazer presente junto a ti a distância torna-me no vazio que me envolve; a mim, que ao abrigar-te nos meus braços fico gigante.

Não há conformismo possível porque a distância suga-me a paciência. Irrita-me por dentro até à ectoderme e faz-me com mais buracos que os suíços o queijo; buracos que se enchem de frustração por saber que a falta de paciência em nada diminui a distância.

E é tanta a distância.