a natureza dos bichos…

é difícil a relação com certos cães vádios… tanto apanharam que basta-nos levantar uma mão e é vê-los já com o rabo encolhido ao fundo das costas e a fazerem bom uso das pernas, mesmo quando a mão é erguida pela intensão das melhores festas.

há também os lobos, os primos libertinos dos outros. com esses nem brincadeiras pela saudinha dos dedos; a aproximação mais incauta a estes espécimes pode resultar em feridas difíceis de sarar e quando se afastam já levam o gosto da carcaça pendurado no sorriso.

e há ainda os cães silvestres, perdidos algures numa natureza interior de difícil definição. Estes, nem cães nem lobos, carregam num olhar doce o lamento pelas feridas que causaram; o ar fresco pica-lhes forte por dentro do pêlo e muitas vezes, assustados pelo que não entendem, não resistem ao apelo selvático da rua… mordem e partem com um uivo baixo e sofrido, conscientes da perda, conscientes da sua natureza.

tenho para mim que, para o bem geral, generalizavam-se alguns regulamentos legais a todos estes bichos:

“Artigo 1.º Com vista à protecção, conservação e fomento (…), é proibido:
(…)
c) A sua perturbação, em especial durante os períodos de reprodução e de dependência.”
(in: Decreto-Lei n.º 139/90 de 27 de Abril)

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