riso e choro…

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tenho para mim que, algumas vezes, se me vissem, poderia ter sido confuso distinguir o riso despregado do choro convulsivo. talvez… mas apenas por quem os visse de fora.


é preciso tornar a fechar o abraço muito esperado em torno de alguém que se ama, ou deixar ir um abraço apertado sabendo que será o último, para se perceber a que me refiro. e então se sabe, desde lá de dentro, de onde eles vêm, o riso e o choro.

o riso e o choro, primos e antípodas.

já vivênciei dos dois em doses intensas, daquelas em que se sente desde o formigueiro nos braços ao sabor na boca.

tive o choro asfixiado em lágrimas, mas também o riso velozmente escorregando em lençois de água salgada.

experimentei, em certos momentos, o riso seco e escaldante, noutros o choro árido como o deserto.

tive riso que me libertou e criou ligações duradouras. tive choro quando carecido de alívio mas que não rompeu qualquer amarra.

já fui rejuvenescido pelo riso e já me consumí em choro.

algumas vezes senti dores de tanto rir, noutras senti dor acumulada que de tanta o choro explodiu como uma erupção.

tenho sempre saudades de rir, mas receio e quero longe o choro.

o riso e o choro, esses dois siameses aprisionados no mesmo corpo.

sei que tenho com ambos datas marcadas para reencontros futuros. não me importo. pois que venha o riso para o meu bem-estar, que eu do choro farei uso para me reconstruir, como derradeira catarse.

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