“boys don’t…

ele há dias em que chove mais do que deveria…

e encharcam-se-me os olhos.

 

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os homens são assim…

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os homens são assim...

imaginam moinhos e imaginam-se heróis obrigados a vencê-los… partem para lutas contra-natura, com as emoções trucidadas pela ausência dos que mais desejam… mas, ainda assim, inventam modos de resistir, de manter as ligações ao que são, ou o que foram antes de partir e ainda se imaginam ser… nem que seja somente para sobreviver… assim, homens, em busca de moinhos para vencer.

é de macho…

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queixam-se elas por ouvirem os sinos a redobrarem com mais força mas ninguém as escutar, por se sentirem tão frágeis como as papoilas, por estarem tão previsíveis como o tempo na primavera, por terem a paciência para lá de Bagdad, por lhes incomodar a luz do Sol durante o dia mas acharem a Lua desvanecida durante a noite… por serem tão somente elas e ninguém as compreender, mas queixam-se (apenas) em certas alturas do mês.

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O que nem imaginam é o sentir no masculino, onde tudo é mais intenso, despropositado, profundo, desmesurado, único, todos os dias – no masculino até o espirro é de macho, ou pelo menos é assim que nos iludimos. é o monstro do “TPM” – Temperamento Parvo Masculino.

o Lobo Antunes é que viu bem a coisa…

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Sátira aos HOMENS quando estão com gripe – ANTÓNIO LOBO ANTUNES

Pachos na testa, terço na mão,

Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha, Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sózinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

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uns e outros…

todos temos aqueles que tanto queremos agarrar mas que nos escapam por entre os dedos e deles fica a nostalgia

há também aqueles que nos atentam a paciência e deles lembramos o esforço que precisamos para nos libertar

mas há ainda aqueles que nos seguram em pequenos gestos que perduram; para um desses bastou-lhe dizer

take all the time you need… I’ll not let you down”

yeah Buddy, continuas a dar-me lições…