Luso-Loving…

este Sr. MEC escreve muito bem, escreve, pois que escreve…

 

” O Amor em Portugal

Mesmo que Dom Pedro não tenha arrancado e comido o coração do carrasco de Dona Inês, Júlio Dantas continua a ter razão: é realmente diferente o amor em Portugal. Basta pensar no incómodo fonético de dizer «Eu amo-o» ou «Eu amo-a». Em Portugal aqueles que amam preferem dizer que estão apaixonados, o que não é a mesma coisa, ou então embaraçam seriamente os eleitos com as versões estrangeiras: «I love you» ou «Je t’aime». As perguntas «Amas-me?» ou «Será que me amas?» estão vedadas pelo bom gosto, senão pelo bom senso. Por isso diz-se antes «Gostas mesmo de mim?», o que também não é a mesma coisa.

(…)

A confusão do amar com o gostar, do amor com a paixão, e do afecto, tornam muito difícil a condição do amante em Portugal. Impõe-se rapidamente o esclarecimento de todos estes imbróglios. Que bom que seria poder dizer «Estou apaixonado por ela, mas não a amo», ou «já não gosto de ti, embora continue apaixonado» ou «Apresento-te a minha namorada», ou «Ele é tão amável que não se consegue deixar de amá-lo». Estas distinções fazem parte dos divertimentos sérios das outras culturas e, para podermos divertirmo-nos e fazê-las também, é urgente repor o verbo «amar» em circulação, deixar-mo-nos de tretas, e assim aliviar dramaticamente o peso oneroso que hoje recai sobre a desgraçada e malfadada paixão

in ‘A Causa das Coisas’Miguel Esteves Cardoso

(Thanks, MEC)

 

Anúncios

filhos da… mãe

.

.

à nossa volta os dois rapazotes passam o dia um com o outro, entregues ao mundo e a si mesmos. também eles têm fome, daquela que nos transborda o ácido para lá da boca do estômago. têm também da outra que nos faz tilintar o coração com frio. os dois rapazotes passam o dia um com o outro, entregues ao mundo, entregues a si mesmos, sem evidência dos seus adultos por perto. outrora, neste continente, a parentalidade podia estender-se por toda uma aldeia, agora crescem as crianças aos bocados, um pouco aqui, um pouco ali e muito por onde calhar que ninguém quer saber. tudo cresce por aqui, enquanto não é levado pela enxurrada.

um pai, nesta terra, carrega pouco mais que o significado biológico, mas ter um “mais velho” por perto é ter alguém com a altura de um farol e o aconchego de um ninho. pensamos “a mãe?!” e um de nós desprende a frase: “aqui, são sempre filhos da mãe….!”.

todos nós, homens, alguns pais, ficamos a olhar para os rapazitos com uma expressão perplexa e complacente, inconscientes de que nunca iremos sentir o significado completo dessa frase.

“são sempre filhos da mãe…!”

antes não era assim…

havia o respeito mútuo…

havia o reconhecimento do espaço de cada um…

e cada passo era antecedido de uma análise pormenorizada a todos os sinais que o outro estivesse a emitir

mas para quem tem perfil de vadio é tudo dele e o confronto é inevitável…

e eu ainda vou acabar por ouvir algo tipo:

“nem vais acreditar… mas quando entrei em casa… sabes quem já estava no nosso sofá?!

SIIIMM, o gato mau !!! “

oooppss, tarde demais!

 

 

oh, GATOS… pensam que é tudo deles!!!

aaah Lúcia…

.

isto hoje foi demais!

o que dirá o director do Projecto quando souber ?!? (sempre é um projecto de elevada segurança…) não resisti! tentei manter o alinhamento… mas só se resiste até onde se pode!

tu e eu… às voltas… o calor lá fora e nós os dois às voltas… janelas fechadas… eu, nos olhos a alegria sacaninha de quem faz uma maldade… sim, porque no fundo até sou um rapazito maroto… e tu às voltas… “uuuuu yeeeeaaaahh”…

.

.

e foi para aí o quê?

talvez uns bons 45 minutos às voltas, de carro,

eu a olhar para os outros a trabalharem

e a curtir-te em “repeat mode”.

Foi booom!

.