juuuuura…?!

 

 

afirmou uma pediatra, psicoterapeuta e especialista

(e sabe-se lá mais o quê…) que:

 

“Bebês que não dormem
acabam por trazer a síndrome de privação de sono para o cuidador,
que geralmente é a mãe.


Ela se sente irritada e
chega a ter dificuldades de concentração e de memória.”

.

oh pá bastava apenas passar cá pelo nosso laranjal…

para chegar a essa brilhante descoberta!  .

 

(e como não podia deixar de ser…

cá em casa partilhamos muita coisa,

incluíndo o “síndrome da privação de sono”!)

 

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gente partida…

.

.

uma manhã de domingo, de um domingo qualquer, mais um esforço de lavagem das saudades com água de cevada e malte fermentados. mais um dia em que tudo parece distante e tudo é insuficiente, porque aqui sempre nos falta algo. não é por acaso que um dos temas mais repetidos ao longo da semana de trabalho é o almoço de rescaldo no domingo. é que, deste lado, estamos constantemente com fome, fome de casa e fome dos que aqui não temos connosco. é assim que ao domingo vamos à praia dar sol às nossas barrigas cheias dessa fome.

somos gente com barrigas grandes que competem em tamanho com a avidez dos nossos olhares. temos fome e queremos comer. queremos saciar este vazio interior tão grande que nos faz gente nostálgica, gente presa a passados que o presente esvaziou de sentido. somos gente triste, mesmo quando nos rimos. somos gente com umbigos sobressaídos e com dificuldade em pendurar o olhar noutra coisa qualquer.

e acabamos o dia com as lamurias do que alguém já foi ou já fez, lamentos desinfectadas no excesso do álcool consumido. assim fechamos mais um dia, melhor acomodados.


somos, em mais uma manhã, gente que um dia partiu…

sim, quando regressamos…

.

para algo renovamos o seu sentido,

para alguém fortalecemos a ligação,

ao que nos faz ser quem somos recuperamos do peso das ausências

podemos celebrar o resultado do investimento


e por isso volto de mochila nas costas,

assobiando ao vento,

e sorrindo ao caminho,

regresso ao Lar…

de onde as pernas me levaram mas o coração resistiu em ficar!

 

( pois, quanto menos dorme mais lamechas fica o rapaz… bolas! )

“Deeliiiciiioooosa. Ora aí está, não estava meeesmo nada à espera!”

Aleatório & DestinoAgora que reparo, dou conta que a minha vida decorre de forma sincronizada com o aleatório. O destino vai dando desenvoltura aos acontecimentos e eu vou vivendo a minha vida. Lá vamos, metidos nos nossos assuntos, como colegas de trabalho de uma qualquer repartição pública, decididos em fazer crer a cada interpelação do publico de que estamos ocupadíssimos em fazeres erméticos. E os acontecimentos lá vão surgindo. Revelam-se, mas não como as bolas tiradas por um ser de feições angélicas que brilha intangível no monitor do meu televisor. Não. Essas são esperadas por milhões de bocas abertas, bocas viciadas que sempre acabam fechadas em resignação após um abafado “Bolas, ainda não foi desta!”. Os meus acontecimentos, meus porque me caiem aos pés como o jornal lançado pelo rapaz de bicleta num filme sem orçamento, brotam com vigor e pujança e tão tangíveis como aquelas latas na prateleira dos supermecado que nos caiem em cima quando só queremos tirar “uma’ zinha”. Pergunto-me mesmo se não se inspiram no dia de abertura dos saldos de certos armazéns. Até me vejo como os trabalhadores desprotegidos que se espantam até à ultima dobra dos intestinos com aquelas criaturas que brutalmente se acotovelam e escancaram as portas no instante exacto da abertura. 3, 2,..1 abram as portas que aí vêm eles, os acontecimentos, ou não abram que eles entram à mesma, imparáveis como os melhores jogadores de rugby. E eu, tal como os trabalhadores dos armazéns, ciclicamente redescubro o espanto e reconfirmo as expectativas. Podemos criar novos cenários, escolher outras decorações, mas aquele momento de revelação traz-me sempre um sorriso acanhado e a mesma frase, surgidos inesperadamente como o toque de campainha daquele familiar indesejado que uma vez por ano decide presentear-nos com a sua visita: “ora aí está, não estava meeesmo nada à espera!”.

Beersfaction

Mas, com o optimismo dos que lhes bafejam alguma sorte, sorrio aos acontecimentos. Apanho-me com a expectativa de quem se liberta da multidão arrastado por uma sede quente e seca para dentro de um bar, pede uma cerveja à pressão e fica a observar o copo a encher-se. Eu, agora com gotículas de suor calmo a escorrerem-me por todo o corpo, como se estivesse num anuncio televisivo. Eu, agora salvo do buliço e com a certeza da sede a crescer, a admirar o malte estupidamente gelado que vai rodopiando alegremente às voltas no copo, sorrio aos acontecimentos. Mão no copo, copo na boca e a cerveja gelada e deliciosa a revitalizar-me pelo paladar. Sorrio. Sorrio e digo cá para mim na companhia dos meus acontecimentos: “Deeliiiciiioooosa. Ora aí está, não estava meeesmo nada à espera!”